quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

6º dia: Roboré/Bolívia até Santa Cruz de la Sierra/Bolívia



A VISÃO DELE: LUÍS (420km)

Já que dona onça falou que eu uso todas as fotos no meu relato, hoje serei econômico. hehehe

Depois do perrengue do dia anterior, você acha que hoje foi diferente?

Que nada...hoje acabou o combustível! kkkkk

Mas eu sou um baita de um cagado e vocês vão ver só nessa história.

Saímos cedo de Roboré e o destino obrigatório deste dia seria Santa Cruz de la Sierra.

O mapa marca 408km. Talvez daria para fazer com um tanque, certo?

Quase, se não fosse o vento lateral, o anda e para das obras na rodovia, entre outros obstáculos que atrasam a viagem.

Aqui realmente é estranho andar de moto. Tanto nas rodovias quanto na cidade. É uma grande bagunça. Na rodovia do nada aparecem uns tambores de metais no meio do nada e te obrigam a desviar ou parar.

Hummmmm....era um trecho em obras. Não custava colocar uma placa antes?

Ao menos a paisagem compensou. Saímos do hotel bem cedo, veja só a cara de sono dos dois...



Acordados, procurei alguma padaria na região, que nada, ou a galera não acordou ou não tem mesmo. As vendas todas estavam fechadas.

Estava com 30 bolivianos na carteira, nada mais. Equivalente a 12 reais para chegar até Santa Cruz de la Sierra.

Se desse, o combustível ia chegar "no talo" ou no vaporzinho da gasolina hehehe.

Saímos um pouco na frente dos catarinenses de Xaxim. Avançamos e vi a placa de um posto. Parei e nada, nem a venda estava aberta. Sem gasolina.

Vamos seguir então. Andamos, andamos... o dia estava especialmente bonito. As nuvens perfeitas e não iria chover nem fazer aquele sol de rachar, até que avistamos a primeira montanha daqui da Bolívia e paramos para tirar uma foto.





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Andamos quase 200km até achar algo para comer. Veio em boa hora, a barriga já roncava.



Foram duas empanadas fritas para cada um, 2,50 bolivianos cada, total 10 bolivianos.
Pegamos uma água de 2 litros, 8 bolivianos.
Me restava então 12 bolivianos. A Luciana quis pegar uma bolacha recheada, mais 6 bolivianos.

No meu bolso tinha real, dólares e 6 bolivianos apenas.

Logo mais adiante, um posto de combustível. O cara não queria abastecer, pois disse que não tinha o esquema para estrangeiro. Então insisti e falei que precisava de ao menos 2 litros ou não chegaria a Santa Cruz de la Sierra.

Deu certo, os dois litros ele me vendeu ao preço de local (3 bolivianos) e deu na verdade 1,7 litros. O suficiente para não me ferrar mais a frente.

Andamos, paramos, obras aqui e ali, uma bagunça generalizada. Passaram por nós os catarinenses, depois passamos eles, avançamos, mais obras...

Algumas vezes passamos por caminhonetes transportando o que me pareciam ser trabalhadores rurais. Quando viam a moto todos olhavam, parecíamos ET's, e quando a Luciana pegava a câmera todos acenavam e sorriam!



Quantas pessoas nos acenam na viagem, desde sem-terra no Mato Grosso do Sul, crianças em carros, trabalhadores nas caçambas de caminhonetes, outros motociclistas, diversas origens, histórias diferentes.

No trecho de obras uma confusão no anda e para, virou uma bagunça. Carros estavam um contra o outro. Nessas horas pensamos...se no Brasil é ruim, aqui é beeeeemmmmm pior, mas bem pior mesmo.


Se no Brasil você reclamaria dos ambulantes no meio do trânsito, então veja só isso. Dá o play e clica no quadradinho do canto direito para ver em tela cheia. Está em HD.

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Quando entramos em Santa Cruz de la Sierra não notei, pois não tem placa. Só vi mais gente, mais carros, buzinas, bagunça...então perguntei a um taxista e ele confirmou, era ali.

Parei num semáforo e adivinha!

Acabou o combustível.

Pensei...fudeu!

Acabaram meus bolivianos e to sem grana pra comprar gasolina. Vou ter que andar até o centro, ou pegar um taxi, fazer câmbio, voltar, etc...

Só que nesse semáforo que parei tinha tranquilamente ao menos 20 pessoas entre vendedores de tranqueiras e limpadores de vidros. Sim, tranquilamente vinte ou mais, e eles estavam com diversas crianças. Ao menos aqui os pais trabalhavam e as crianças ficavam na sombra, pois no Brasil é o contrário, né?

Perguntei a uma tiazinha se o centro era longe, pois precisava fazer câmbio e ela disse que ali naquele cruzamento, do outro lado da rua, havia um cambista.

Sim, aquele ali na sombra, sentado na cadeira, de "camisa roja".

Eu sou cagado, não acha?

Troquei uns 200 reais por uma taxa melhor do que na fronteira. E no outro sentido da avenida tinha um posto de combustível. Peguei minha garrafinha de 2 litros de água que havia comprado anteriormente e fui até lá.

A moça encheu, paguei preço local. Voltei para a moto e tudo certo. Tá funcionando outra vez!




Ou seja, aqueles 1,7 litros que consegui lá atrás foram providenciais para conseguir chegar até o cambista e do lado do posto, entendeu?

#luiscagado

Bem, o resto da história de hoje eu deixo a Luciana contar para vocês, pois chegamos ali era umas 13/14h da tarde e muita coisa boa ainda aconteceu naquele dia 24, que teve uma ceia de natal num restaurante inusitado!

A VISÃO DELA: LUCIANA

Luís jura que é cagado por natureza né? Eu acredito no poder da oração e nunca no acaso! 
Tô aqui pra isso e não para ser só uma garupa linda....rs.

Depois de abastecermos com o suficiente para nos tirar dali fomos atrás de um hotel. 
Luís já tinha previamente salvo um que se localizada ao centro da cidade e fomos conferir.
Quando chegamos, pelo naipe e localização pensamos que não seria viável, pois era um hotel 5 estrelas! 
Luís foi ver o preço e pela demora eu já estava esperançosa. 
Ele achou prudente eu ficar esperando porque como o hotel era cheiroso certamente eu já me empolgaria na entrada! Garoto esperto! hahahah 
A notícia foi maravilhosa, pois o custo era de 50 dólares a diária. Praticamente um milagre natalino! 

Gente, eu fiquei impressionada pelo custo x benefício! Cama com lençóis de cetim, banheira, piscina, sauna e até ceia gratuita poderíamos usufruir!



Ahahaha...alegria de pobre! rs

Devidamente instalados, aproveitamos para enfeitar o banheiro com as nossas roupas que precisavam ser lavadas e algumas deixadas até de molho!!! tsc tsc 


Coisa feia né...mas faz parte...rs

Precisávamos comer e em frente tinha um Burger King aberto. Foi lá mesmo! 
Depois fomos passear pela praça, conhecer a redondeza e fazer mais câmbio pra não passar mais apuros: 






Nas lojinhas, olha o souvenier....hahaha
Lá no Brasil a gente não tem Dilmanópolis, mas aqui eles tem a versão deles do Banco Imobiliário: 


 Raspadinha de gelo pra refrescar:

Foto com careta contra o sol:


De barriguinha e bolso cheio voltamos para o hotel descansar e repousar nos lençóis de cetim (eu adorei enfatizar isso né?)

Dormimos umas 2h e meia e acordamos na hora da janta.
Fomos atrás de um lugar pra comer e só achamos um restaurante de comida chinesa aberto. Não tínhamos a intenção de encontrar grandes coisas abertas mas percebemos que as pessoas não pareciam se importar que era Natal por aqui...

Pedimos um talharim com chop suey de legumes e abrimos o nosso Veuve Clicquot que viajou do Brasil conosco especialmente para esta data!!!




Acho que nessa foto acima eu já estava cansada....hahahha...mas tava feliz, acreditem! 

Nossa noite fechou perfeita! 
Lá fomos nós para os nossos lençóis de cetim novamente!!! :D

Beijos a todos e Feliz Natal! 

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