A VISÃO DELE: LUÍS
Hoje o por do sol tava tão bonito que eu não queria sair da estrada.
Mas tive que sair e entrar numa cidade chamada Maracaju, no Mato Grosso do Sul, e procurar um hotel para dormir.
Fomos a 5 hotéis até achar um que o custo x benefício fosse legal, mas isso é o final da história...vamos voltar ao começo.
Acordamos em um vilarejo no KM 431 da Rodovia Raposo Tavares, a cidade mais próxima é Assis. Partimos de lá por volta das 9:00h e fomos até Presidente Prudente, terra dos meus pais. Visitamos minha mãe e também o meu pai (casas diferentes, ok?) e precisava consertar isso:
Viu algo de errado? Pois é, a pedaleira da esquerda perdeu o apoio. Caiu no caminho de SP a Alexandria. Simplesmente caiu...o pino que prendia deve ter solto, pois não bati nem cai em lugar algum.
E cá entre nós que andamos de moto, viagem de moto sem gambiarra não é viagem de moto, não é verdade?
Então vamos fazer uma gambiarra com uma ajuda do meu pai ali em Prudente. Passamos em uma serralheria, fechada. Então fomos a uma bicicletaria e "compramos" dois pedaços de cano de guidão de bicicleta, que já era ferro velho, pois estava todo torto e enferrujado e ia para o lixo. Compramos também a luvinha.
Vc me pergunta...se caiu só um apoio da pedaleira, porque comprou 2?
Bem, se perder mais um já tenho um reserva e isso não pesa nada nem atrapalha.
Olha onde foi:
O bicicleteiro cortou na hora, esmerilhou e vendeu as luvinhas. Quanto vocês acham que custou?
De R$ 4 a R$ 50...vamos lá!
Sim, custou R$ 4,00.
Tem coisas que realmente não tem preço. Poder apoiar os pés nisso numa viagem longa não tem preço... você que viaja sabe disso.
Quando agradeci ele e disse que aquilo ia até o Equador comigo ele custou a acreditar. Quem sabe depois da viagem mando um cartão para ele! Pois provavelmente não tem acesso a facebook nem blog.
Bem, aí ta metade da história resolvida. A outra metade era fazer o cano entrar na pedaleira original. Fomos então a uma loja de acessórios de automóveis e o cara tinha todas as ferramentas necessárias. Pedimos para usar e veja no que deu:
Dominamos a morsa, a furadeira e o esmeril.
Trabalho, feito, ficou preso na moto por um parafuso de aço, com direito a trava rosca "loctite".
Gambiarra feita, vamos seguir viagem. Veja só como ficou:
Mas antes tem os presentes de natal.
Eu ganhei um sapato. Veio em boa hora!
Luciana ganhou, acreditem, um presente inusitado.... mas essa história eu vou deixar ela contar.
Presentes trocados, aliás, deixamos os nossos lá, pois não da pra levar na bagagem e não faz sentido levar um sapato de couro numa viagem para Galápagos.... hehehehe depois volto pra pegar.
Almoçamos e seguimos viagem. O objetivo era chegar em Bonito/MS. O calor na estrada estava absurdo.
Essa foto acima foi tirada entre Assis e Pres. Prudente.
Essa foto acima foi tirada na travessia da ponte entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, entre Pres.Epitácio e Bataguassu. Acho que é a maior ponte sobre água doce da América do Sul.
Essa qui já é no Mato Grosso do Sul, o tempo melhorou aqui...fechou completamente e até choveu, aliviando o calor.
Abaixo, o preço da gasolina no MS.
E para vocês verem como o povo brasileiro é unido e se gosta, aqui no MS tem homenagem pro meu amigo gaúcho Iuri. Paramos para a foto, valia a pena!
Abaixo, desafio você adivinhar quantos bois brancos e quantos marrons tem na foto. Clica nela e vê com calma.
Só tem boi branco hehehe o resto é formigueiro. Incrível a altura deles, alguns maiores que os bois.
Viu só o por do sol abaixo?
Dirigindo, olha a cara da japonesa na garupa.
Olha mais uma vez o por do sol depois da chuva...
Tá bom né?
Bem, hoje foi assim. Chegamos a Maracaju/MS. Estamos agora a 180km de Bonito.
Mas veja só que curioso o "uai fai" que usei... a "senna" é fedcba9999. Tirou uns risos nossos hehehe.
A VISÃO DELA: LUCIANA
Querido diário...hahaha
Chegamos em Prudente e fomos direto para a casa da minha sogra que nos esperava linda no seu roupão de cetim vermelho! (de acordo com o Luís parecendo um sonho de valsa)...hahahah
Estávamos nós e ela ansiosos para trocarmos presentes escolhidos com tanto carinho. Só que Luís e eu nem imaginávamos o tamanho do carinho e da surpresa armada pela minha cunhada Viviane e minha sogra! Elas nos presentearam com o meu vestido de casamento que mandarei fazer ainda, mas que agora terá um significado muito maior!!! Eu custei a acreditar quando abri a caixinha toda personalizada...fiquei meio boba acho e digo até constrangida porque não é um presentinho mas uma das coisas mais desejadas por uma noiva! Rolou muita emoção!
Aí depois Luís foi resolver suas coisas da moto e encontrar o pai e minha sogra e eu seguimos para a Batata (loja de venda de batatas assadas recheadas: Fruto da Terra). Estava doida para almoçar uma delícia e minha sogra preparou uma de estrogonoff aos 4 queijos...morram de água na boca!!!
Finalizado os almoços, enrolei e gerei um stress na saída porque mulher sempre atrasa...hehehe...e seguimos viagem. Tava muuuuito calor e paramos num posto para nos refrescar e acordar. Sim, eu tava sendo consumida pelo calor e o Red Bull gelado caiu perfeitamente!
Depois andamos até Maracaju e no caminho tirei as fotos acima. Só um parenteses: No caminho, além de pararmos para homenagear o nosso amigo gaúcho Iuri, eu com os meus botões estava a pensar que tinha um bicho no meu braço esquerdo dentro da minha jaqueta. Eu nunca alarmo o Luís de imediato, então fiquei lá pensando no que poderia ter dentro da minha jaqueta. Tinha sentido algo se mexer...fiquei aflita por alguns km e só depois percebi que era um zíper! Eu e minhas loucuras...heheheh
Hoje o destino é Bonito-MS e se o clima permitir será o nosso primeiro dia de camping!
Bjs!
domingo, 21 de dezembro de 2014
sábado, 20 de dezembro de 2014
Começa a viagem: saindo da capital
A história desta viagem vai ser um pouco diferente. Vocês poderão acompanhar o relato de um homem sobre duas rodas e também o de uma mulher, na garupa. Vamos ver o quão diferentes são as visões hehehehe
A VISÃO DELE: LUÍS
SP a Nova Alexandria: 426km
Sair de São Paulo nem sempre é fácil. Às vezes o trânsito atrapalha bastante.
Mas dessa vez foi diferente, quem atrapalhou foi a chuva.
O primeiro destino era Presidente Prudente, a cerca de 600km da capital, com saída programada para 15h.
Nem sonhando....chovia torrencialmente às 14:30h pela cidade. No caminho do trabalho para casa muita chuva...
Banho tomado e malas arrumadas, a moto estava pronta.
Abastecimento feito e vamos ver até onde chegamos.
Sem surpresas, mas a chuva acompanhava. Paramos antes de Iperó na Castelo, perto de Boituva, pois a chuva estava chegando e eu não estava nem um pouco a fim de por a capinha de chuva.
Hora de chupar um picolé, ir ao banheiro, e descobrir que esquecemos meu cartão de débito em casa. Uma pena.
Pior foi descobrir que um cartão de crédito não estava funcionando.
Usamos o outro e tudo bem. Seguimos viagem pela Castelo Branco até abastecer por volta do km 270 de SP/interior.
Quem disse que o cartão funcionava? Isso seria a revolta dos cartões de crédito?
Nenhum funcionava e estávamos com R$ 34 no bolso, sem cartão de débito algum. Cheque o posto nem sabia o que era.
Bem, vamos para os 0800 da vida falar com os atendentes que vão estar te atendendo. Um estourou o limite após a compra das passagens aéreas da lua de mel do casamento e o outro bloqueou pois um novo havia chegado recentemente em substituição. Mas e a senha que nunca veio? Bem, vai chegar em SP e devemos obter via telefone com a portaria do condomínio.
No fim das contas conseguimos desbloquear um cartão, pagar o abastecimento e seguir viagem.
Paramos em Nova Alexandria, um posto perto de Assis para dormir, quando já era passado de meia noite. R$ 129 e este é o primeiro gasto não esperado da viagem, pois o destino era dormir na casa da minha mãe em Presidente Prudente/SP.
Hotel padrão Ibis, hora de descansar, pois amanhã o almoço será no Mato Grosso do Sul e se tudo correr bem devemos dormir em Bonito/MS.
ps.: a pedaleira de apoio do pé para descanso perdeu o apoio...e caiu na estrada. Estranho, vou postar uma foto. Quem sabe consigo consertar hoje em algum lugar. Aliás, precisarei fazer uma peça. A primeira gambiarra!
A VISÃO DELA: LUCIANA
A minha visão deste primeiro dia resume-se: "O homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor." Provérbios 16:1.
Sim, muitos planos de sair cedo e sem chuva e chegar num horário bom para jantar uma deliciosa batata assada na loja da minha sogra e dormir na caminha quentinha e cheirosa que ela preparou com tanto carinho. Mas eis que começam os nossos desafios no primeiro dia e priorizando a nossa segurança paramos num hotel de posto, muito bom por sinal!!!
Seguimos em frente e bora vencer!
Acima, vista da Av. Paulista na hora da saída programada (15h). Certeza que teve neguinho fazendo a dança da chuva no Piauí e na Dinamarca pra eu não sair de férias.
Av. Paulista x Haddock Lobo.
Essa é a rota do Brasil. Dá pra entender?
Abastecendo no posto ao lado de casa...na saída da capital. Todos limpinhos e sequinhos...ainda.
Mais de perto...
Já na Castelo Branco, antes de Boituva, onde o 1º cartão parou de funcionar.
Vamos de sedex?
E a moto fez "aniversário" no caminho. Setenta mil km bem rodados e com muitas histórias.
Em Nova Alexandria, ao acordar e escrever essa mensagem.
Sem chuva, dia bonito para chegar ao Mato Grosso do Sul. Lá vamos nós!
A VISÃO DELE: LUÍS
SP a Nova Alexandria: 426km
Sair de São Paulo nem sempre é fácil. Às vezes o trânsito atrapalha bastante.
Mas dessa vez foi diferente, quem atrapalhou foi a chuva.
O primeiro destino era Presidente Prudente, a cerca de 600km da capital, com saída programada para 15h.
Nem sonhando....chovia torrencialmente às 14:30h pela cidade. No caminho do trabalho para casa muita chuva...
Banho tomado e malas arrumadas, a moto estava pronta.
Abastecimento feito e vamos ver até onde chegamos.
Sem surpresas, mas a chuva acompanhava. Paramos antes de Iperó na Castelo, perto de Boituva, pois a chuva estava chegando e eu não estava nem um pouco a fim de por a capinha de chuva.
Hora de chupar um picolé, ir ao banheiro, e descobrir que esquecemos meu cartão de débito em casa. Uma pena.
Pior foi descobrir que um cartão de crédito não estava funcionando.
Usamos o outro e tudo bem. Seguimos viagem pela Castelo Branco até abastecer por volta do km 270 de SP/interior.
Quem disse que o cartão funcionava? Isso seria a revolta dos cartões de crédito?
Nenhum funcionava e estávamos com R$ 34 no bolso, sem cartão de débito algum. Cheque o posto nem sabia o que era.
Bem, vamos para os 0800 da vida falar com os atendentes que vão estar te atendendo. Um estourou o limite após a compra das passagens aéreas da lua de mel do casamento e o outro bloqueou pois um novo havia chegado recentemente em substituição. Mas e a senha que nunca veio? Bem, vai chegar em SP e devemos obter via telefone com a portaria do condomínio.
No fim das contas conseguimos desbloquear um cartão, pagar o abastecimento e seguir viagem.
Paramos em Nova Alexandria, um posto perto de Assis para dormir, quando já era passado de meia noite. R$ 129 e este é o primeiro gasto não esperado da viagem, pois o destino era dormir na casa da minha mãe em Presidente Prudente/SP.
Hotel padrão Ibis, hora de descansar, pois amanhã o almoço será no Mato Grosso do Sul e se tudo correr bem devemos dormir em Bonito/MS.
ps.: a pedaleira de apoio do pé para descanso perdeu o apoio...e caiu na estrada. Estranho, vou postar uma foto. Quem sabe consigo consertar hoje em algum lugar. Aliás, precisarei fazer uma peça. A primeira gambiarra!
A VISÃO DELA: LUCIANA
A minha visão deste primeiro dia resume-se: "O homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor." Provérbios 16:1.
Sim, muitos planos de sair cedo e sem chuva e chegar num horário bom para jantar uma deliciosa batata assada na loja da minha sogra e dormir na caminha quentinha e cheirosa que ela preparou com tanto carinho. Mas eis que começam os nossos desafios no primeiro dia e priorizando a nossa segurança paramos num hotel de posto, muito bom por sinal!!!
Seguimos em frente e bora vencer!
Acima, vista da Av. Paulista na hora da saída programada (15h). Certeza que teve neguinho fazendo a dança da chuva no Piauí e na Dinamarca pra eu não sair de férias.
Av. Paulista x Haddock Lobo.
Essa é a rota do Brasil. Dá pra entender?
Abastecendo no posto ao lado de casa...na saída da capital. Todos limpinhos e sequinhos...ainda.
Mais de perto...
Já na Castelo Branco, antes de Boituva, onde o 1º cartão parou de funcionar.
Vamos de sedex?
E a moto fez "aniversário" no caminho. Setenta mil km bem rodados e com muitas histórias.
Em Nova Alexandria, ao acordar e escrever essa mensagem.
Sem chuva, dia bonito para chegar ao Mato Grosso do Sul. Lá vamos nós!
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Ilha Comprida - fim de semana off-road com as garupas (KTM 990, XT 660, Ténéré 660 e Super Ténéré 1200)
O que te levaria a ir de São Paulo para Ilha Comprida, no litoral de SP, com sua garupa numa big trail, pelo caminho menos asfaltado?
Gosto pela aventura? Apetite para riscos?
Não parei para pensar na resposta que posso dar, mas é demais atravessar matas fechadas, rios profundos e passar pela areia fofa que quer te derrubar da moto.
O fim de semana foi assim, sábado, 10h nos encontramos em SP, na saída da Régis Bittencourt (BR 116) rumo ao sul. Estávamos em 4 motos:
Fomos até um certo ponto da B6116 que dá acesso a Pedro de Toledo, mas não acessamos a SP055, foi pelo meio do mato. Entre barrancos secos e trilhas escuras cheias de lodo e barro, chegamos a essa cidadezinha para almoçar.
Barriga cheia, seguimos para o "despraiado", uma estrada de 70km de terra que nos levaria ao litoral, passando por 3 rios no caminho.
Sempre havia ponte, mas preferimos passar pelo rio, dentro d'água mesmo. Alguns mal cobriam metade da roda das motos, outros chegaram até a altura do banco, quase no quadril.
Rios atravessados, começamos a descer, descer e descer...até chegar em Iguape e fazer uma trilhazinha meio ao barranco que cai para o canal que existe entre Ilha Comprida e Iguape. Um lugar um tanto curioso para se passar de moto.
Filmamos vários trechos com as câmeras, espero que a edição dos vídeos e fotos fique muito boa desta vez. Vai levar tempo editar tudo e colocar no ar, mas será legal.
Procuramos uma pousada e a cidade de Iguape aparentemente teve uma inflação de pousadas, pois alguns locais bem simples estavam cobrando 120 o casal. Pois bem, achamos uma senhora que alugava 2 quartos e lá fomos nós.
Antes de dormir, uma paradinha na garagem para instalar os protetores de mão da Super Ténéré, recém adquiridos, da Circuit. Couberam quase que perfeitamente. Nada que uma gambiarrazinha não ajuste.
Ao acordar no domingo notamos que a Ténéré 660 do Tiago tinha algum vazamento. Ele havia levado um tombo no dia anterior no despraiado que até agora não entendemos. Como a queda foi forte, o protetor do motor entrou bastante e amassou o reservatório do líquido de arrefecimento (a aguinha colorida, hehe).
Nada que 2 advogados, um fisioterapeuta e um analista de sistemas não consiga resolver, obviamente, com um tubinho de "super bonder" na mão.
Mas a cola não secava. Já viram super bonder ficar líquido um tempão? Foi só o Daniel colocar o dedo dele que a cola endureceu. Sabe-se lá por onde este dedo andou, rs...
Moto consertada, já eram 11h quando entramos em Ilha Comprida. Fomos diretos ao norte, onde há algumas dunas legais para andar de moto. Deixamos as meninas na praia. Estava calor, bem quente...
E lá foram os espertões no sol do meio dia andar de big trail nas dunas. Quanto tempo você acha que isso durou?
Até bastante, eu não acreditei que iria aguentar tanto tempo em cima da moto caindo tão poucas vezes.
Pneus murchos, fomos andar. No começo dá um certo receio (vulgo cagaço) de meter a mão no acelerador
e fazer aquelas máquinas andarem. Mas com o tempo a gente vai ficando assanhadinho, achando que é super, e começamos a andar mais rápido.
Aí que está a parte perigosa, pois a confiança aumenta, mas como a velocidade é maior, o tombo tende a doer mais.
Sem tombos que nos machucaram, somente aquelas caidinhas de quando atola ou quando a roda da frente afunda no trilho e o equilíbrio vai para o espaço.
No fim até brincamos de subir uma duna e fazer uma curva numa descida bem gostosa. A duna devia ter uns 6-8 metros de altura e era daquelas bem molengas sabe, que você pisa e afunda o pé. Mas era bem legal ficar brincando de dakar lá hehehe
Tinha até um "circuito" para ficar rodando com a moto, passando por umas curvas apertadas e uns barrancos de areia fofa.
Brincamos, caímos, atolamos... e treinamos bem para o que vamos encarar no Jalapão.
O que aprendi disso: a moto aguenta, quem não aguenta somos nós. Com o calor o desgaste e esgotamento é rápido.
Voltamos para a praia, pegamos as meninas e fomos andar naquelas faixas de areia kilométricas rumo ao sul da ilha.
Maravilhoso, um passeio demais!
Andamos, atravessamos uns riachos, pântanos, matagal, até que chegamos a um quiosque. Era hora de almoçar.
Depois de 3 porções de peixes fritos e uma de mandioca, muitas cervejas e alguns doces, estávamos de barriga cheia sem vontade de sair dali. Mas era hora de ir embora.
Rumo ao sul, pegamos a balsa grátis para Cananéia sem pegar fila e já estávamos de volta ao asfalto.
Antes de seguir, uma paradinha para os outros limparem as correntes. Quer dizer, eu que não tenho nada a ver (ST 1200 = cardã) ajudei a limpar todas as correntes. Já estou craque. O Tiago tem até uma escovinha.
Quero ver só no Jalapão o limpador oficial de correntes entrar em ação, hehehe.
Bem, andamos, chegamos na BR116 e seguimos rumo a SP. A serrinha do cafezal nem estava tão ruim, chegamos a SP de noite.
Despedida no posto e bora pra casa.
Treino na areia feito. Agora restam os últimos preparativos para o Jalapão. Ajustar as câmeras e ação!!!!
Vídeo da viagem em breve, tão logo acabe a edição.
Gosto pela aventura? Apetite para riscos?
Não parei para pensar na resposta que posso dar, mas é demais atravessar matas fechadas, rios profundos e passar pela areia fofa que quer te derrubar da moto.
O fim de semana foi assim, sábado, 10h nos encontramos em SP, na saída da Régis Bittencourt (BR 116) rumo ao sul. Estávamos em 4 motos:
- Luciano e Cintia = KTM 950 Adventure
- Tiago Bega = Ténéré 660
- Daniel Bento = XT 660
- Luís e Luciana = Super Ténéré 1200
Fomos até um certo ponto da B6116 que dá acesso a Pedro de Toledo, mas não acessamos a SP055, foi pelo meio do mato. Entre barrancos secos e trilhas escuras cheias de lodo e barro, chegamos a essa cidadezinha para almoçar.
Barriga cheia, seguimos para o "despraiado", uma estrada de 70km de terra que nos levaria ao litoral, passando por 3 rios no caminho.
Sempre havia ponte, mas preferimos passar pelo rio, dentro d'água mesmo. Alguns mal cobriam metade da roda das motos, outros chegaram até a altura do banco, quase no quadril.
Rios atravessados, começamos a descer, descer e descer...até chegar em Iguape e fazer uma trilhazinha meio ao barranco que cai para o canal que existe entre Ilha Comprida e Iguape. Um lugar um tanto curioso para se passar de moto.
Filmamos vários trechos com as câmeras, espero que a edição dos vídeos e fotos fique muito boa desta vez. Vai levar tempo editar tudo e colocar no ar, mas será legal.
Procuramos uma pousada e a cidade de Iguape aparentemente teve uma inflação de pousadas, pois alguns locais bem simples estavam cobrando 120 o casal. Pois bem, achamos uma senhora que alugava 2 quartos e lá fomos nós.
Antes de dormir, uma paradinha na garagem para instalar os protetores de mão da Super Ténéré, recém adquiridos, da Circuit. Couberam quase que perfeitamente. Nada que uma gambiarrazinha não ajuste.
Ao acordar no domingo notamos que a Ténéré 660 do Tiago tinha algum vazamento. Ele havia levado um tombo no dia anterior no despraiado que até agora não entendemos. Como a queda foi forte, o protetor do motor entrou bastante e amassou o reservatório do líquido de arrefecimento (a aguinha colorida, hehe).
Nada que 2 advogados, um fisioterapeuta e um analista de sistemas não consiga resolver, obviamente, com um tubinho de "super bonder" na mão.
Mas a cola não secava. Já viram super bonder ficar líquido um tempão? Foi só o Daniel colocar o dedo dele que a cola endureceu. Sabe-se lá por onde este dedo andou, rs...
Moto consertada, já eram 11h quando entramos em Ilha Comprida. Fomos diretos ao norte, onde há algumas dunas legais para andar de moto. Deixamos as meninas na praia. Estava calor, bem quente...
E lá foram os espertões no sol do meio dia andar de big trail nas dunas. Quanto tempo você acha que isso durou?
Até bastante, eu não acreditei que iria aguentar tanto tempo em cima da moto caindo tão poucas vezes.
Pneus murchos, fomos andar. No começo dá um certo receio (vulgo cagaço) de meter a mão no acelerador
e fazer aquelas máquinas andarem. Mas com o tempo a gente vai ficando assanhadinho, achando que é super, e começamos a andar mais rápido.
Aí que está a parte perigosa, pois a confiança aumenta, mas como a velocidade é maior, o tombo tende a doer mais.
Sem tombos que nos machucaram, somente aquelas caidinhas de quando atola ou quando a roda da frente afunda no trilho e o equilíbrio vai para o espaço.
No fim até brincamos de subir uma duna e fazer uma curva numa descida bem gostosa. A duna devia ter uns 6-8 metros de altura e era daquelas bem molengas sabe, que você pisa e afunda o pé. Mas era bem legal ficar brincando de dakar lá hehehe
Tinha até um "circuito" para ficar rodando com a moto, passando por umas curvas apertadas e uns barrancos de areia fofa.
Brincamos, caímos, atolamos... e treinamos bem para o que vamos encarar no Jalapão.
O que aprendi disso: a moto aguenta, quem não aguenta somos nós. Com o calor o desgaste e esgotamento é rápido.
Voltamos para a praia, pegamos as meninas e fomos andar naquelas faixas de areia kilométricas rumo ao sul da ilha.
Maravilhoso, um passeio demais!
Andamos, atravessamos uns riachos, pântanos, matagal, até que chegamos a um quiosque. Era hora de almoçar.
Depois de 3 porções de peixes fritos e uma de mandioca, muitas cervejas e alguns doces, estávamos de barriga cheia sem vontade de sair dali. Mas era hora de ir embora.
Rumo ao sul, pegamos a balsa grátis para Cananéia sem pegar fila e já estávamos de volta ao asfalto.
Antes de seguir, uma paradinha para os outros limparem as correntes. Quer dizer, eu que não tenho nada a ver (ST 1200 = cardã) ajudei a limpar todas as correntes. Já estou craque. O Tiago tem até uma escovinha.
Quero ver só no Jalapão o limpador oficial de correntes entrar em ação, hehehe.
Bem, andamos, chegamos na BR116 e seguimos rumo a SP. A serrinha do cafezal nem estava tão ruim, chegamos a SP de noite.
Despedida no posto e bora pra casa.
Treino na areia feito. Agora restam os últimos preparativos para o Jalapão. Ajustar as câmeras e ação!!!!
Vídeo da viagem em breve, tão logo acabe a edição.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Voando em Florianópolis
Em julho apareceu uma oportunidade de emitir uma passagem pela Gol com pontos do Smiles que estavam vencendo.
Para onde ir então?
Pensa, pensa...consulta o site, ve para onde tem disponibilidade....hum.... Florianópolis.
É um destino novo, apesar de já ter passado um fim de ano lá restrito à praia dos ingleses.
Dessa vez, agora voando, pensei em ir para alguma praia onde houvesse um pico para voar.
E havia, bem do lado da lagoa da conceição. E bem do lado havia um hotel bacana a preço bom.
Hotel Samuka reservado pelo Decolar, passagem da Gol emitida pelo Smiles, vamos lá...
Pena que chegou próximo do fim de semana da viagem e era só chuva no sudeste e sul, seja em SP ou no SC a previsão não era boa.
Bem, com passagem marcada e hotel reservado não da pra desistir né? Preju seria grande.
Fomos então para Floripa num sábado bem cedinho, o voo partir as 7 e pouco da manhã. Levei o paraglider na bagagem (ele era 90% do peso de bagagem rs) sem a menor pretensão de voar diante de uma condição de tempo destas.
Cheguei ao aeroporto debaixo de uma garoa. Pousei em SC também sob tempo ruim.
Alugamos um carro e vimos pequenos sinais de sol...que aos poucos foi se mostrando atrás de um dia beeeeem nublado.
No fim das contas o sol apareceu devagarinho.
E ao chegar na lagoa da conceição olhamos para o céu e um paraglider havia acabado de decolar.
No que pensei: se ele consegue voar, eu também consigo.
E deu certo... paramos no pico seguindo instruções de um guia de rampas, mas não havia como subir a trilha de carro. No carro do lado onde estacionei havia um adesivo de escola de glider. Liguei e pedi instruções, o cara tava na rampa. Foi só subir...
Essa parte foi engraçada, pois a IST levou o paraca nas costas. Peculiaridades do casal, estávamos lá em cima.
Peguei instruções de decolagem e a rampa era foda. Mal cabia um glider e era bem íngreme. Ruim demais para quem tem um tornozelo que não funciona.
Tentei uma, tentei 2, tentei 3...só na 4ª tentativa decolei. Numa dessas tentativas parei no meio do mato...nem da pra explicar muito, veja o vídeo ao fim.
Fiquei fazendo lift por 1h47min e "troquei" de morro, fui até onde havia uma galera voando.
Hora de pousar, fome batendo, xixi apertando, rs...
Pouso tranquilo. Enrola o paraca e vamos almoçar.
Aí então achamos um restaurante que vendia anchova na brasa por R$ 30. Excepcional...
Depois disso o negócio foi ficar no hotel, pois o tempo fechou novamente e a chuva veio.
No domingo, café da manhã tarde e chuva durante o dia.
Tentamos ir ao pico que fica na praia do rio vermelho (acho que é esse o nome), mas não encontramos.
Paramos e almoçamos mais uma anchova, maravilhosa também.
Mais um rolezinho pela ilha e depois aeroporto.
Chegando em SP, chuva. Mas voltamos bronzeados do pouco sol que pegamos no sábado!
Fora isso, muitas fotos e o vídeo que você pode curtir abaixo:
Para onde ir então?
Pensa, pensa...consulta o site, ve para onde tem disponibilidade....hum.... Florianópolis.
É um destino novo, apesar de já ter passado um fim de ano lá restrito à praia dos ingleses.
Dessa vez, agora voando, pensei em ir para alguma praia onde houvesse um pico para voar.
E havia, bem do lado da lagoa da conceição. E bem do lado havia um hotel bacana a preço bom.
Hotel Samuka reservado pelo Decolar, passagem da Gol emitida pelo Smiles, vamos lá...
Pena que chegou próximo do fim de semana da viagem e era só chuva no sudeste e sul, seja em SP ou no SC a previsão não era boa.
Bem, com passagem marcada e hotel reservado não da pra desistir né? Preju seria grande.
Fomos então para Floripa num sábado bem cedinho, o voo partir as 7 e pouco da manhã. Levei o paraglider na bagagem (ele era 90% do peso de bagagem rs) sem a menor pretensão de voar diante de uma condição de tempo destas.
Cheguei ao aeroporto debaixo de uma garoa. Pousei em SC também sob tempo ruim.
Alugamos um carro e vimos pequenos sinais de sol...que aos poucos foi se mostrando atrás de um dia beeeeem nublado.
No fim das contas o sol apareceu devagarinho.
E ao chegar na lagoa da conceição olhamos para o céu e um paraglider havia acabado de decolar.
No que pensei: se ele consegue voar, eu também consigo.
E deu certo... paramos no pico seguindo instruções de um guia de rampas, mas não havia como subir a trilha de carro. No carro do lado onde estacionei havia um adesivo de escola de glider. Liguei e pedi instruções, o cara tava na rampa. Foi só subir...
Essa parte foi engraçada, pois a IST levou o paraca nas costas. Peculiaridades do casal, estávamos lá em cima.
Peguei instruções de decolagem e a rampa era foda. Mal cabia um glider e era bem íngreme. Ruim demais para quem tem um tornozelo que não funciona.
Tentei uma, tentei 2, tentei 3...só na 4ª tentativa decolei. Numa dessas tentativas parei no meio do mato...nem da pra explicar muito, veja o vídeo ao fim.
Fiquei fazendo lift por 1h47min e "troquei" de morro, fui até onde havia uma galera voando.
Hora de pousar, fome batendo, xixi apertando, rs...
Pouso tranquilo. Enrola o paraca e vamos almoçar.
Aí então achamos um restaurante que vendia anchova na brasa por R$ 30. Excepcional...
Depois disso o negócio foi ficar no hotel, pois o tempo fechou novamente e a chuva veio.
No domingo, café da manhã tarde e chuva durante o dia.
Tentamos ir ao pico que fica na praia do rio vermelho (acho que é esse o nome), mas não encontramos.
Paramos e almoçamos mais uma anchova, maravilhosa também.
Mais um rolezinho pela ilha e depois aeroporto.
Chegando em SP, chuva. Mas voltamos bronzeados do pouco sol que pegamos no sábado!
Fora isso, muitas fotos e o vídeo que você pode curtir abaixo:
Relato da Trilha do Telégrafo
Primeiramente,
acredito que devemos nos apresentar. Segundamente, esta história é “inarrável”. Não deu para
contar em poucas palavras. Encurtei o máximo possível. Vamos lá.
1ª parte - A ideia maluca
Juntos
podemos ser chamados de “um bando de malucos que tem motos de 180-260kg e as
usam em condições e lugares por onde só passariam motos de trilha”, como Yamaha
DT180 e Honda CRF 230, dentre outras similares bem conhecidas.
Separados,
um é fisioterapeuta, o outro é analista de sistemas, um programador de robôs e
um advogado tributarista, todos metidos um pouco a mecânicos e com muita
disposição para andar de moto qualquer dia, lugar e condições climáticas.
É,
essa é a palavra chave: disposição. Se você pensa em algum dia da vida
passar pela trilha do telégrafo, mesmo que seja a pé (que é mais rápido do que
qualquer outro meio de transporte que se mova pela terra), precisará de muita
disposição, além de ajuda de todos os que estiverem num raio de até 10km,
contribuição de São Pedro, do vento, dos animais quadrúpedes encontrados pelo
caminho, dos deuses, anjos da guarda e todos os demais seres invisíveis aos que
não são espíritas.
Quando
o fisioterapeuta nos enviou um e-mail com a ideia, logo em seguida o técnico de
TI mandou alguns vídeos do youtube com as histórias de jipeiros e trilheiros
que já passaram por lá desde a década de 80.
Pelo
que vimos nos vídeos e relatos, “o sistema é bruto”.
Não
é qualquer “motinha” que passa e tem que fazer muita força para arrastar as
motos quando encalham, caem, atolam, viram de ponta cabeça no rio (o programador de robôs que nos diga)...dentre outros fatores que atrasam a caminhada.
2ª parte - O deslocamento
Confirmamos
a data, preparamos a tralha (com barracas de camping incluídas) e numa sexta de
tarde nos encontramos no primeiro posto BR da BR-116 sentido Curitiba.
Seguimos
até parar num posto perto de Registro/SP para jantar, enchemos bem a barriga,
afinal depois dali a civilização não seria tão facilmente contatável. Curioso
que ao passar pelo caixa o programador de robôs e o advogado viram um daqueles salames
pendurados para venda e resolveram comprar. Essa viria a ser a melhor decisão
do fim de semana e esse o alimento mais precioso.
Pernoitamos
numa pousada em Pariquera—açu, a terra da batata suíça. Há somente pizzarias e
restaurantes que vendem batata suíça há décadas...curioso isso. Seria alguma
colônia isolada? Rs...
No
sábado de manhã abrimos a porta da sacada e do outro lado da rua havia um grupo
de urubus nos olhando. O que será que fariam por ali tão atentos? Será que big
trail no telégrafo é sinal de “alimento fácil” para eles?
Pois
bem, enchemos novamente a barriga e fizemos o deslocamento até a trilha. Bem
tranquilo o caminho.
3ª parte - A trilha - 1º dia
Mas
quando chega na trilha é um choque, pois você sai de uma estrada de terra
normal e de repente se depara com um rio atravessando o caminho, lama, madeiras
atravessadas, buracos... ou seja, a paisagem e a pista não vai mudando aos
poucos. Chega tudo de uma vez.
Passamos
o primeiro obstáculo, depois o segundo, terceiro... andando em três, dois
desciam da moto e iam ajudar um com dificuldade. Isso nos fazia ir e voltar a
pé a trilha várias vezes.
Para
andar os primeiros 500m levou quase uma hora. Estava sol, calor, desgastante.
Mas melhor que chuva, não é?
Depois
os próximos 500m foram mais uma hora...e por aí vai.
Atolamos,
atolamos e atolamos...e enquanto desencalhávamos as motos apareceu no horizonte
(não tão longe assim) um grupo de trilheiros, daqueles com motinhas pequenas,
mais apropriadas para o lugar. Quando chegaram até nós não acreditaram que
estávamos com aqueles tratores naquela lama.
Quando
começou a chover os tombos, escorregões e atolamentos viraram rotina (a cada 2
ou 3 minutos um estava no chão). Afinal, um trecho da trilha é feito de
madeiras atravessadas e andar sobre elas úmidas não é agradável.
Quando
a chuva apertou paramos debaixo de uma árvore (as motos ficaram na chuva mesmo)
para não molhar tanto. Colocamos as capas de chuva (estilo motoboy de SP) e
ficamos vendo a m. acontecer.
O
que era barro virou lama. Em seguida as poças começaram a ficar mais fundas.
Estava mole demais...difícil até parar em pé. Imagina então sobre a moto.
O
cansaço estava apertando e a fome já estava lá para as tantas quando passou um
grupo de locais com dois cavalos carregados de coisas. Olharam para nós naquela
situação e começaram a conversar. Nós só queríamos saber e perguntamos: “lá pra
frente é melhor”?
A
resposta não foi muito boa...
Havia
mais um rio para atravessar, depois da pinguela. E não seria fácil segundo os
locais.
Então
continuaram e disseram que iriam voltar para dar uma ajuda para nós.
Só
que escureceu...
Mas
eles voltaram, e com dois cavalos para ajudar.
Lá
para as tantas o advogado não aguentava mais ficar em pé, pois tem artrose no
tornozelo. Então largou a ST1200 lá e subiu no 4x4 e foi até uma casa que fica
à beira da trilha aguardar os demais. O fisioterapeuta levou a moto dele.
Juntamente com os locais que estavam ajudando a empurrar e a desatolar as motos
no escuro.
E
continuava a chover... até que o programador de robôs caiu com a moto de ponta cabeça no
rio, quebrou a bolha e alguma coisa do suporte do GPS.
Bem,
sem maiores danos, estava inteiro e a moto foi retirada do rio... rio de lama.
Funcionava normalmente.
Seguiram
viagem até chegar na tal casa enquanto o da ST1200 montava as barracas sob a
chuva para dormir num gramado enxarcado.
Os
locais que nos ajudaram disseram que no dia seguinte voltariam para dar mais
uma força. E que força!
Cada
qual com sua barraca, trocamos de roupa, comemos alguma coisa (barrinha de
cereal, etc...) e capotamos. Já era quase meia noite.
Choveu
quase a noite toda, então imagina como estava de manhã. Você tem uma chance só!
Era
lama sobre lama.
3ª parte - O 2º dia de trilha
As
7.30h os locais estavam lá para nos ajudar a seguir a viagem.
Inacreditavelmente
estava até mais fácil pilotar naquela manha, apesar da lama.
Seguimos
viagem até novas pinguelas e atoleiros. Quando vimos uma casa (a do Riquinho)
paramos e nos ofereceram café e bolacha. Cara...foi a refeição mais calórica
das últimas 36 horas. Aliás, foi a única, fora alguns pedaços do salame que
compramos no posto 6ª e comemos de café da manhã.
O
resto não foi tão difícil, fora as subidas de lama. Mesmo com pneus apropriados
as motos não tracionavam.
E
no trecho de pedras foi difícil passar, pois cair lá seria difícil. As motos
mal cabiam meio as pedras.
Mas
enfim, foi tudo bem.
Chegamos
à fronteira de SP/PR e a única coisa que há é um marco de concreto. E eu achei
que haveria uma daquelas placas “Posto fiscal à frente” kkkkkk
Depois
de algumas subidas e descidas estávamos no fim da trilha, já era estrada de
sítio e quase 4 da tarde.
Então
paramos na casa de um dos locais (o Tatu) para almoçar e a irmã dele preparou o
melhor arroz com feijão e frango que eu comi nesta década.
Estava
faminto...famintíssimo.
4ª parte - A ilusão do fim
Eu
falei fim da trilha? Ops, sorry, era o fim da lama. Depois havia um deslocamento
enorme até Guaraqueçaba no litoral do Paraná, onde havia o posto de combustível
mais próximo.
A
XT660 e a ST1200 pararam no caminho, tanque vazio. A XT ficou, a ST pegou um
empréstimo da Sertão e seguiram em 3 até Guaraqueçaba, onde a gasolina tem preço
com padrão de prostíbulo, se é que vocês me entendem.
O
analista de sistemas com a Ténéré660 voltou para levar gasolina para XT660 do
fisioterapeuta enquanto o advogado parecia feliz ao acreditar que dali em
diante era só asfalto.
Mera
ilusão, foram mais 100km de noite, debaixo de chuva, até Morretes.
E
aí, como se faz para subir a Estrada da Graciosa sob chuva e neblina (depois da
trilha do telégrafo, só para lembrar para vocês) e chegar a São Paulo sendo que
já eram 22h da noite?
Ah
amigo, só de avião. E como ninguém carrega avião no alforje o jeito foi dormir
por lá. O analista de sistemas e o programador de robôs ficaram em Morretes/Antonina. O
fisioterapeuta e o advogado trabalhavam bem cedo na 2ª feira e tiveram a leve
ilusão de chegar a SP naquela noite. Nada feito, subiram a Graciosa sob neblina
meio aos acidentes (havia 3 carros capotados) e pararam pouco depois de Campina
Grande do Sul num hotel de posto de beira de rodovia.
No
dia seguinte, para fechar, 5 horas de “deslocamento” do PR ate SP pela BR-116
em obras. É mole ou quer mais?
Chegamos
a SP na 2ª por volta das 11/12h cansados, com a alma lavada e as motos e roupas
imundas.
DICAS PARA VOCÊ QUE QUER IR PARA A TRILHA DO TELÉGRAFO:
Se
você leu isso e quer ir para a trilha do telégrafo, aí vão as nossas dicas:
1
– não vá para lá.
2
– é isso mesmo, não vá, esteja chuva ou sol.
3
– se você é teimoso e quer ir, convença outro louco a ir contigo, jamais vá
sozinho. Depois de aceitar não pode desistir. E quando chegar lá não pode dar
pra trás, nem reclamar. Leia esse tópico inteiro antes.
4
– leve comida, avise a patroa que lá não tem energia nem pega telefone. Abrace
ela forte, dê um beijo nas crianças e faça um cafuné no cachorro. Mande uma
mensagem para seus pais e avise que você gosta muito deles. Diga no seu
trabalho que talvez você se atrase 2ª feira.
5
– leve mais comida, você pode precisar.
6
– leve uma barraca e uma muda de roupa seca dentro de sacos plásticos
impermeáveis sem a mínima possibilidade de entrar água dentro (quem sabe vc
dorme seco). Lá não tem hotel, nem comida, nem energia, nem bar nem nada. Só
não precisa levar água, lá tem bastante.
7
– leve uma corda, não, leve duas, três...quatro! Uma para cada moto.
8
– você tem certeza que quer ir mesmo?
9
– tem certeza que vai mesmo ou ta de brincadeira?
10
– já que é assim, então me convide para ir contigo, será um grande prazer
passar esse perrengue outra vez!
Abaixo, ilustrações da narração acima:
A turma da trupe. Da esquerda para a direita.
- Luís / Advogado / ST1200
- Luciano / Fisioterapeuta / XT660
- Tiago / Analista de sistemas / Ténéré660
- Laércio / Programador de robôs / BMW Sertão
Os urubus na frente da nossa sacada ao amanhecer - qual era a esperança deles?
Essas são as "boas vindas" da trilha. Os primeiros 20m.
1º obstáculo da trilha (acima)
Ufa, passei
Precisa falar alguma coisa? Tá vendo a corrente? rs
Acima, após construir uma "ponte", fomos atravessar a ST1200.
A ravessia.
Afundando...
Caída na beira da lama, afundou na grama...
E aí, ninguém vai ajudar? São 260kg seca, mais bagagem e acessórios da 300kg (6 sacos de cimento)
A lei da gravidade vale para todos, e várias vezes...
Descansando no sol. Deitar no mato era uma boa ideia, um dos poucos locais secos da trilha.
E aí, que você faria para passar aí? Iria pelo meio ou pelas laterais?
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